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Você será um mendigo em 10 anos se não entender isso

Moedas fiduciárias vêm perdendo valor vigorosamente. Cerca de 50% dos reais existentes foram criados em 1 único ano. Mais dólares foram impressos em julho/21 do que em 200 anos de história da nação americana.



Nos últimos anos, especialmente após 2008 e 2020, vimos a intensificação de um processo de queda das moedas fiduciárias (dólar, real, euro…) e muito possivelmente o começo do fim de um colapso civilizatório. Este movimento inflacionário, aliado a uma política de juros reais negativos, têm o potencial de desestruturar as bases da economia real, bem como de provocar pobreza massiva àqueles que não compreenderem corretamente este fenômeno. Seu patrimônio será diluído se você não entender isso.


O Banco Central do Brasil, o Federal Reserve (O Bacen dos EUA) e a grande maioria dos governos e instituições responsáveis pela política monetária no mundo, intensificaram as suas ações expansionistas quase que de maneira exponencial durante o ano de 2020. Cerca de 50% dos reais existentes foram criados em 1 único ano. Mais dólares foram impressos em julho do que em 200 anos de história da nação americana.


Ao mesmo tempo, as taxas juros nominais, atualmente definidas e planejadas centralmente por burocratas do governo, se encontram em patamares próximos a zero. Como consequência, as taxas de juros reais (taxa de juros menos a inflação) se encontram em território negativo, cenário em que, aliado a uma inflação alta, tende a destruir rapidamente o poder de compra de qualquer um que permaneça investido no legacy.


Inflação real


Nas últimas décadas, o conceito econômico de inflação foi alterado de maneira estranhamente conveniente para simplesmente aumento de preços. Acontece que o aumento generalizado e sistemático de preços é na verdade a consequência da inflação, e não a inflação em si. Me pergunto se isto faz parte de um processo de falsificação da linguagem para aumento do controle social, como descrito por George Orwell no livro 1984.


A inflação estampada hoje nos jornais, na maioria dos papers acadêmicos e nas discussões da comunidade econômica se referem ao aumento de preços de uma cesta de produtos, ativos ou bens de consumo. Acontece que isto não pode de maneira alguma representar a inflação geral, ou mesmo a inflação média, devido a diversos fatores. Ademais, a confusão entre o aumento de preços e o tempo de demora para a inflação real aparecer em todos os mercados tende a mascarar os efeitos reais da inflação, por uma série de razões.


  1. Cada indivíduo, família, empresa e instituição possuem uma cesta de consumo diferentes.

  2. Índices inflacionários foram sistematicamente alterados ao longo dos anos para mascarar o aumento de preços.

  3. A depender da forma como o dinheiro é impresso, ele causará uma inflação em determinados setores, normalmente aumentando o preço de papéis financeiros.

  4. A inflação real pode demorar anos para se alastrar na economia.


A maneira austríaca de se compreender a inflação é olhar para o aumento da base monetária. Isto é, quanto dinheiro foi criado em relação ao total existente. Por exemplo, o ouro possui hoje uma inflação média de 1-3% ao ano, proveniente da extração de novo metal através da mineração. O bitcoin, por sua vez, possui uma emissão previsível, que tende a 21 milhões de unidades, cuja política monetária foi definida por Satoshi Nakamoto no início da rede.


Como quase 50% dos reais existentes foram criados em 2020, pode-se aferir que tivemos uma inflação da base monetária de 50%. Como resultado, a consequência para isso seria uma pressão de aumento de 50% dos preços ao longo do tempo conforme este dinheiro se alastra pelos mercados.


Contudo, para entender o aumento dos preços é necessário o compreender como um conjunto de forças vetoriais. É possível que o preço de alguns produtos diminua mesmo com a impressão de dinheiro, por exemplo, caso haja um aumento superior da oferta destes bens que não seja acompanhado por um aumento proporcional na demanda. Questões demográficas, de produtividade e de mudança na preferência temporal dos indivíduos também tendem a alterar os preços.


Loucura nos mercados


Moedas de cachorro, NFTs de macacos, ações memes, empresas deficitárias valendo verdadeiras fortunas são alguns dos resultados das ‘intervenções soviéticas’ nos mercado globais pelos governos.


Quando a política monetária se torna um fator mais predominante para a precificação de bens e ativos do que os fundamentos, as aberrações econômicas tendem a aparecer. Como mencionado por Renato Amoedo, autor do livro Bitcoin Red Pill (disponível gratuitamente no Kindle), o mercado de renda fixa se tornou perda fixa, e o mercado de renda variável se tornou perda variável. E o mais preocupante é o nível em que isto está acontecendo.


Qualquer um que não teve um retorno sobre o investimento superior a 50% no Brasil está perdendo dinheiro. Qualquer um segurando cash ou investindo na poupança perdeu quase metade do seu poder de compra em 1 ano.


O Ibovespa começou o ano de 2020 sendo negociado a 115 mil pontos, e terminou o ano nesta mesma faixa. Com um aumento real de metade da base monetária, quem ficou exposto a este índice também perdeu metade da sua energia monetária. E um cenário semelhante se formou no ano de 2021.


Com exceção para os traders que sabem aproveitar a volatilidade do mercado e aqueles que investiram em ativos assimétricos (urânio, bitcoin e algumas ações), todos os demais foram diluídos, se tornaram sistematicamente mais pobres. Qualquer um que permanecer neste sistema por mais de 10 anos verá sua riqueza se transformar em pó e ser transferida para o governo e para as instituições e empresas ‘próximas ao rei’.


Não dá para voltar atrás


Um cenário bastante semelhante surgiu nos anos 70, com uma diminuição nas taxas de juros e criação de dinheiro provocando inflação em todo mundo, incluindo em países desenvolvidos. Acontece que o cenário macro-econômico da época era significativamente mais propício para uma normalização da política monetária.


Atualmente, tentar retomar as rédeas da inflação e dos juros certamente terá impactos profundos em todos os setores da sociedade. A maioria dos estados hoje são deficitários e acumulam dívidas que se aproximam ou ultrapassam 100% do PIB. Um aumento da taxa de juros suficiente para conter a inflação poderia tornar os estados insolventes, um cenário calamitoso para um dos maiores mercados do mundo, o de títulos de dívidas governamentais.


Muitas empresas zumbi, isto é, companhias que não dão lucro, que se endividam sistematicamente para manter suas operações e só são viáveis em um cenário de juros baixos podem declarar falência, provocando perdas massivas nos mercados acionários e de capitais.


O juros é um componente utilizado em muitos valuations de empresas. Aumenta-lo de maneira significativa provocará uma corrosão na precificação de empresas, afetando de maneira drástica o mercado de ações.


Se os governos vão deixar a bolha estourar ou se vão manter este cenário até o limite do possível, é algo impossível de se prever. Presumo que o Grande Reset seja parte do plano das elites globais para lidar com esse problema.


“Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade.” – Ayn Rand.


O plano B


O principal incentivo para a migração institucional para o Bitcoin nos últimos anos certamente foi a pressão inflacionária. A MicroStrategy, a maior empresa de business intelligence do mundo, possuía em 2020 cerca de 800 milhões de dólares em caixa. Com a política monetária adotada pelo Federal Reserve após 2020, a companhia veria seu caixa ser dilacerado 20-40% ao ano simplesmente por estar exposto ao dólar.


Para a MicroStrategy, esta seria uma perda sistêmica de 100 a 300 milhões de dólares em poder de compra por ano. É importante ressaltar que qualquer empresa que não tenha um fluxo de caixa superior ao aumento da inflação real está no prejuízo. Mas normalmente isto não é precificado pois a maioria está olhando para índices inflacionários mentirosos (IPC, IPCA…).


O Bitcoin, uma rede monetária descentralizada, resistente à censura, sem permissão, aberta, open source, levemente deflacionária, capaz de transformar energia em hash power para a proteção da rede, surgiu nos últimos anos como uma moeda nativa da internet.


Nos últimos 12 anos de sua história, o bitcoin venceu sistematicamente todos os índices acionários e foi de longe o melhor ativo da década. Agora, o cripto-ativo alcança a marca de 1 trilhão de dólares, cerca de 10% da capitalização ouro, e a possibilidade dele se tornar espontaneamente o novo padrão monetário da humanidade, ou mesmo o principal ativo de reserva de valor, se torna exponencialmente maior.


Parte da minha esperança no surgimento de um Padrão Bitcoin vem do cripto-ativo ser a evolução lógica do dinheiro, uma tecnologia superior, que vencerá o ouro e o dólar, assim como a internet substituiu o telégrafo como principal meio de comunicação. A outra parte desse anseio vem do fato de que, caso o Bitcoin dê errado, acredito que não haverá outro bote salva vidas tão eficaz para se segurar. Certamente todo este cenário econômico seria uma tragédia sem precedentes sem o BTC, já estaríamos vivendo em uma “Venezuela global”.


O bitcoin, ouro, imóveis e outros ativos podem constituir uma cesta balanceada com o objetivo de se proteger contra a guerra ao dinheiro. Ademais, é possível se beneficiar do juros negativo e da inflação através da tomada de crédito de maneira inteligente, semelhante ao que está fazendo Michael Saylor, CEO da MicroStrategy, que acredito que se tornará nos próximos anos o homem mais rico do mundo, simplesmente por ter entendido corretamente o problema e a solução.


Fonte: Criptonizando

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